Braços cruzados significam resistência.

Olhar para a esquerda significa mentira.

Mexer no cabelo significa interesse.

Coçar o nariz significa... aparentemente já deve existir uma tabela para isto algures na Internet.

A comunicação não verbal é importante. Muito.

Mas há uma diferença entre observar sinais e brincar aos detetives da mente humana.

Uma pessoa pode cruzar os braços porque está desconfortável.

Também pode estar com frio.

Pode sentir-se insegura, estar simplesmente confortável nessa posição ou ter acabado de perceber que não tem bolsos.

O contexto importa.

Importa a mudança de comportamento. Importa o conjunto de sinais. Importa aquilo que estava a ser dito naquele momento. Importa conhecer, ou não, o comportamento habitual daquela pessoa.

O corpo dá-nos informação. Não nos entrega legendas.

E isto vale também para a nossa própria comunicação.

Não precisamos de andar permanentemente a controlar onde colocamos as mãos, o ângulo dos pés e a inclinação exata da sobrancelha direita.

Quando estamos demasiado ocupados a gerir o corpo, deixamos de estar na conversa.

Vale a pena trabalhar postura, expressão, voz, contacto visual e presença. Mas o objetivo não é construir uma coreografia de credibilidade.

É reduzir o ruído entre aquilo que queremos transmitir e aquilo que o outro recebe.

O corpo não é um polígrafo.

É parte da conversa.