Durante muito tempo achei que uma pessoa boa em palco tinha de ter energia.

Muita energia.

Daquela que chega cinco minutos antes da pessoa e pede licença para entrar.

Eu era tímido, falava baixo e observava muito. Por isso, quando via alguém dominar uma sala, fazia a comparação mais injusta possível: pegava na parte mais visível daquela pessoa e comparava-a com a parte que eu mais escondia em mim.

Conclusão brilhante: eu precisava de ser mais extrovertido.

Não precisava.

Precisava de estar mais ligado ao que estava a dizer.

Há pessoas que falam baixo e nós inclinamo-nos para as ouvir. Outras gritam uma ideia durante quarenta minutos e, ao fim de dez, já estamos mentalmente a escolher o jantar.

Presença não é quantidade de som.

Também não é fazer gestos grandes, andar de um lado para o outro ou decorar uma pausa dramática exatamente antes da frase que estava no slide anterior.

Presença é quando aquilo que estás a dizer parece estar a acontecer contigo enquanto o dizes.

É difícil fingir isso durante muito tempo.

Podemos aprender estrutura, voz, palco, respiração e linguagem corporal. Devemos. Tudo isso ajuda.

Mas nenhuma técnica consegue substituir completamente a sensação de que a pessoa à nossa frente acredita naquilo que está a dizer.

Se tens uma voz mais calma, não tens de a transformar numa campanha eleitoral.

Trabalha-a. Dá-lhe intenção. Dá-lhe espaço. Aprende a sustentar silêncio.

Uma sala não precisa que sejas maior do que és.

Precisa que estejas lá.