Nenhum líder precisa de pedir à equipa para esconder problemas.
Basta reagir mal algumas vezes.
Interromper quem discorda.
Justificar-se antes de ouvir.
Transformar um erro numa caça ao culpado.
Perguntar “quem fez isto?” antes de perguntar “o que aconteceu?”.
A equipa aprende.
Não necessariamente a comunicar melhor. Aprende aquilo que é seguro dizer.
Começam a chegar versões mais simpáticas dos problemas. As más notícias ganham palavras macias. Certas opiniões deixam de aparecer nas reuniões e passam a surgir no parque de estacionamento, no WhatsApp ou naquele café onde, misteriosamente, toda a gente já sabia que a decisão ia correr mal.
Depois um dia alguma coisa rebenta.
E alguém pergunta:
“Porque é que ninguém me disse nada?”
Esta pergunta devia vir com espelho incluído.
Liderança não é apenas a capacidade de falar de forma clara. É também a capacidade de receber informação que não gostamos de ouvir sem castigar imediatamente quem a trouxe.
Isso não significa aceitar tudo sem critério. Uma equipa também precisa de responsabilidade, exigência e decisões.
Mas existe uma diferença enorme entre exigir rigor e criar medo.
Se quero pessoas que me tragam problemas cedo, tenho de tornar possível trazê-los cedo.
Se quero discordância inteligente, não posso premiar apenas quem concorda depressa.
Se quero verdade, a minha reação à verdade faz parte do sistema.
Uma cultura de silêncio raramente nasce num dia.
Vai sendo ensinada, conversa a conversa.

