Há uma versão de persuasão que parece luta livre com palavras.

Eu apresento o meu argumento. Tu resistes. Eu acrescento mais dois argumentos. Tu continuas a resistir. Eu concluo que ainda não percebeste e aumento a quantidade de explicação até alguém pedir café.

Nem sempre falta informação.

Às vezes sobra pressão.

Se uma pessoa sente que estou mais interessado em fazê-la mudar de posição do que em perceber a posição onde ela está, é natural que se agarre ainda mais a ela.

Não porque seja irracional.

Porque ninguém gosta muito de sentir que está a ser movido como uma peça.

Influência começa frequentemente antes do argumento.

Começa na confiança que existe entre as pessoas, na legitimidade que reconhecemos a quem fala e na sensação de que podemos discordar sem sermos castigados por isso.

É por isso que uma pergunta pode influenciar mais do que uma explicação brilhante.

“O que te preocupa nesta decisão?”

“Do que precisarias para confiar nisto?”

“O que estou a não ver?”

Estas perguntas não garantem que alguém mude de opinião.

Ainda bem.

Persuasão ética não é uma técnica para fabricar concordância. É criar condições para que uma decisão possa ser pensada com mais clareza.

Às vezes o outro muda.

Às vezes mudamos nós.

É uma possibilidade pouco promovida nos cursos de influência, por razões comerciais bastante compreensíveis.