Há uma frase que aparece muitas vezes antes de alguém dizer uma coisa particularmente desagradável:
“Eu sou uma pessoa muito frontal.”
Normalmente não vem aí nada de bom.
Ser frontal pode significar clareza. Também pode significar falta de filtro embrulhada numa qualidade de personalidade.
A assertividade não é dizer tudo o que nos passa pela cabeça. Se fosse, algumas reuniões de condomínio seriam retiros avançados de comunicação.
Ser assertivo é conseguir dizer o que precisa de ser dito sem desaparecer da conversa e sem tentar fazer desaparecer o outro.
Às vezes isso implica dizer não.
Outras vezes implica dizer “isto incomodou-me”, em vez de passar três dias a responder “está tudo bem” com uma cara que diz precisamente o contrário.
E há momentos em que a resposta mais assertiva é esperar. Não porque temos medo da conversa, mas porque ainda estamos demasiado ocupados a querer ganhar para conseguirmos comunicar alguma coisa útil.
A pergunta que costumo fazer é simples: o que queres que aconteça depois de dizeres isto?
Se a resposta for esclarecer, aproximar, definir um limite ou resolver um problema, então vale a pena pensar na forma.
Se a resposta secreta for “quero que a outra pessoa perceba finalmente que é uma idiota”, talvez não estejamos a falar de assertividade.
Estamos apenas zangados. E podemos começar por admitir isso.

