Há pessoas que atacam quando se sentem ameaçadas.

Outras calam-se.

Algumas explicam tudo até a emoção desaparecer debaixo de uma pilha de argumentos.

E há quem diga “não se passa nada” com uma expressão facial capaz de iniciar um incidente diplomático.

Depois resumimos aquilo que aconteceu com uma frase muito conveniente:

“Temos um problema de comunicação.”

Talvez.

Mas muitas vezes não nos faltam palavras. Falta-nos capacidade para ficar na conversa quando ela começa a mexer connosco.

É aí que aparecem as fugas.

Posso fugir atacando. Se eu te colocar na defensiva primeiro, talvez não tenha de olhar para aquilo que me incomodou.

Posso fugir cedendo. Digo que sim, engulo o desconforto e mais tarde fico irritado porque ninguém adivinhou que o meu sim queria dizer não.

Posso fugir racionalizando. Transformo aquilo que sinto numa apresentação de PowerPoint interior com quinze argumentos, três gráficos e zero vulnerabilidade.

Também posso tentar controlar a conversa. Escolho quando se fala, como se fala e até aquilo que o outro deveria sentir. É uma forma curiosa de comunicar com alguém sem lhe permitir participar.

Nenhuma destas respostas nos torna pessoas más. Torna-nos pessoas a tentar proteger alguma coisa.

A questão interessante não é “qual é a frase certa?”.

É outra:

O que estou a tentar proteger quando comunico desta forma?

Quando começamos a perceber isso, a comunicação deixa de ser apenas técnica. Passa a ser escolha.

E escolha é uma coisa bastante mais incómoda, porque já não podemos culpar exclusivamente o outro.