“Fiquei irritado, por isso respondi assim.”

Percebo.

Mas há uma palavra nessa frase que costuma passar despercebida: “por isso”.

Como se a emoção e a reação viessem aparafusadas uma à outra de fábrica.

Fiquei com medo, por isso evitei.

Fiquei magoado, por isso ataquei.

Fiquei frustrado, por isso levantei a voz.

Fiquei inseguro, por isso tentei controlar.

A emoção explica muita coisa. Não transforma automaticamente a reação numa boa decisão.

Podemos sentir raiva sem humilhar alguém.

Podemos sentir medo e, ainda assim, ficar numa conversa difícil.

Podemos sentir ciúme sem transformar o telemóvel da outra pessoa numa investigação criminal.

Isto não é reprimir emoções.

Aliás, muitas vezes fazemos exatamente o contrário: precisamos de reconhecer melhor aquilo que sentimos para não sermos conduzidos por isso às cegas.

Entre sentir e agir existe um espaço.

Às vezes é minúsculo. Dois segundos. Uma respiração. Um “espera, deixa-me pensar”.

Outras vezes precisamos de sair da conversa e voltar mais tarde.

Esse espaço é uma parte importante da inteligência emocional.

Não serve para deixarmos de sentir.

Serve para que aquilo que sentimos não tenha acesso direto ao volante.